Dia 21 de junho o programa "Fantástico" da Rede Globo mostrou uma reportagem sobre a "sindrome de alienação parental"
21/06/2009 - 20h24
Pai usa filho para tentar reduzir a pensão alimentícia Menino de 9 anos e a irmã vivem com a mãe.
A conversa parece ser parte de uma brincadeira entre pai e filho. Mas não era bem isso. É o que mostram essas gravações. Elas são de fevereiro e março deste ano. "Quando é um plano secreto, um plano assim de 007, a gente tem que fazer tudo certinho", disse o pai. O menino de 9 anos e a irmã mais nova, moram com a mãe. O pai, que se separou da ex-mulher há 1 ano, tem uma nova companheira. As conversas mostram que a primeira missão do menino, foi fotografar a casa onde vive com a mãe. “Quando eu percebia que ele tava rondando pela casa, eu levantava e perguntava. Ele simplesmente dizia que tava sem sono, tava brincando”.
Segundo a mãe do menino, o objetivo do pai era tentar conseguir prova de que ela ficava com parte do dinheiro destinado aos filhos e reduzir parte da pensão alimentícia. “Eu tenho o meu trabalho. O dinheiro da pensão é usado exclusivamente para os filhos”. Para pegar as fotos, o pai montou uma estratégia. “Eu entrei em pânico em saber que meu filho tava sendo usado. A informação que o pai sempre passa pra ele é ‘sua mãe está me roubando. Todo o meu dinheiro eu to dando pra sua mãe”. Na opinião do advogado da mãe, o pai praticou a chamada alienação parental. O termo, que surgiu nos Estados Unidos em 1985, começou a aparecer em processos judiciais no Brasil. “A Alienação Parental é quando um dos pais tenta distruir a imagem do outro na cabeça da criança É importante entender que isso vem em degraus. Começa simplesmente no aoto de ‘esquecer’ de dar um recado que o pai ligou, dizer que não pode atender o telefone,” explica Alexandra Ullmman, psicóloga e advogada. Segundo a especialista em direito de família, isso pode trazer problemas futuros. “Ela não pode acreditar que aquela pessoa esteja dizendo alguma coisa que faz mal a ela. Ela vai se dar conta quando for adulto. Quando ela começar a ter dificuldade de relacionamento, muitas vezes se envolve com drogas, com álcool,” diz a psicóloga. Os telefonemas mostram que depois de tirar as fotografias, o menino de 9 anos tinha que participar de mais um plano secreto. Pegar os extratos bancários da mãe, sem que ela percebesse. Por telefone, o pai do menino foi categórico, alegou não saber de nada. E não comentou o assunto. De acordo com a Associação que reúne mais de 10 mil pais separados em todo Brasil, são poucos os casos em que o pai é responsável pela alienação parental nos filhos. “Normalmente a mãe que é responsável pela alienação na criança, pois ela tem a guarda do filho na maioria dos casos,” conta Sandra Regina Vilela, da Associação de Pais e Mães Separados. Este aposentado diz que por causa da ex-mulher, ficou 18 anos sem ter contato com as duas filhas. O reencontro só aconteceu depois que a mãe se separou do segundo marido. Na Câmara dos Deputados, em Brasília, um projeto de Lei quer transformar a Alienação Parental em crime. “Essa lei pode ajudar e muito para que o juiz possa tomar providências efetivas em beneficio do menor”, diz o relator do projeto, Deputado Regis de Oliveira. A proposta é que um perito avalie a criança e determine, caso necessário, medidas que preservem a integridade psicológica dela. Segundo o projeto, o pai ou a mãe que comprovadamente manipule o filho, pode perder a guarda da criança, ou até ficar de 6 meses a 2 anos na cadeia.
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